sábado, 18 de setembro de 2010

Darling.

Era do que ele costumava me chamar. É estranho misturar inglês com português mas, para mim, nada é estranho. Ele dissera que me ama, e eu ri, com desconfiança na palavra. Eu podia sentir seus olhos cheios de esperança, vidrados em mim, com a emoção e a distração que ele levava consigo. Nossa conversa na mesa em frente a Starbucks era engraçada de se ver, soltavamos sorrisos a cada gole ou beliscada de nossos muffins divertidos, e com os dedos trêmulos, toquei sua mão, ele sorriu e devolveu o afeto, brincando com minhas unhas coloridas. Conversávamos sobre a escola e sobre os amigos, então, percebi que duas pessoas conhecidas estavam passando, Erick e Sofia, meus melhores amigos. Eles pareciam felizes, e de mãos dadas, estranho. Eles se conhecem desde o primário e não podem estar namorando, então, Chris estalou os dedos em frente de meus olhos. Pisquei, desorientada, até que vi que ele ainda estava comigo, sorrindo. Fiz cara de boba e soltei: ''Seu sorriso vale mais que mil palavras'', e ele sorriu mais ainda. 
Engraçado, ficara de noite em apenas 2 horas de conversa, e as pessoas não haviam notado a diferença de temperatura, todos de regata e shorts, mas eu sentia aquele vento gélido e forte que batia em minha pele exposta. Chris ainda olhava para mim, mas com um rosto duro e severo, sem sentimentos, e fiquei com medo. Muito medo. Levantei e comecei a andar, todos me seguiam, então corri. Vi meu ''bebê'' parado embaixo de uma árvore, abri a porta e entrei, fatigada e com a respiração falhando, liguei o carro. Droga, eu precisava enxergar, mas a neve não deixava. Vi que a tempestade ficou mais forte, então, dirigi até a ponte. Ela ficava próxima a casa de So, e eu sabia que depois daquela cena estranha, ela estava de volta em casa. Desci do carro, e vi tudo desabar ao meu redor. Estava escuro e frio, de novo. Mas eu não vi mais a neve, só uma pequena luz, que estava muito longe. Caminhei até ela, e me senti perseguida, olhei para trás e vi, Chris com algo em suas mãos. O algo logo se tornou a corrente que dei a ele no dia de nosso aniversário, ele arremessou em minha direção e senti, uma pontada de dor, em meu coração. Ele o acertara. O sangue escorria em minha roupa enquanto Chris ria, debochando de mim. Não entendi por quê até ver, que Katy estava em seus braços, céus como eu odiava aquela garota. Ela o beijou e saiu com ele, de mãos dadas e rindo de mim. Chorei, derramei todas as lágrimas que haviam dentro de mim, até que um som agudo e alto tocava, fazendo minha cabeça latejar. Então acordei, esfreguei meus olhos e levantei. Eram 2:00 da manhã e estava frio. Peguei meu cobertor, deitei e me cobri, com palavras em minha mente:
''Sonhos parecem reais enquanto estamos neles. É somente quando nós acordamos que nós percebemos que algo estava realmente estranho.''

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